Não que envelhecer seja algo que não me agrade (meu Deus, que papo é esse?) mas tenho experiências de pessoas que ao avançarem a casa dos 20 chegaram aos 30 com um pensamento conservador e burocrata. Aí está a questão:o avanço dos anos me faz ter pavor de um dia ter que deparar que me transformei em alguém assim. E o pior, tem gente que se reconhece. Enfim, ficarei desse lado pra abraçar os malditos no inferno. Entre eles, o Thompson que não me permite sucesso e a vaga garantida do Wolfe (fase) New Journalism. Esse último, caramba, fechou com chave de ouro meu semestre. É tão lindo o deslumbre, por mais que seja anti-acadêmico/científico, como certamente afirmaria um professor meu, mas por que não se deslumbrar? Com o belo e o maldito, com toda forma (re)inventada, (re) criada, com tudo que seja imprevisível e que dê um tapa na cara (ou um chute na bunda) no velho conservadorismo acadêmico e nos que que adoram uma forma fechada (não, não é uma exaltação pós-moderna, muito pelo contrário). O toque niilista é só a cereja maldita do bolo.
Deve ter um nome, mas não me vem nada em mente agora além de experimentação. Experimentar a vida, em todos os sentidos para que os resquícios sejam encontrados em todas as manifestações do eu.
Descobrir (a fundo) o novo jornalismo:
"Que se dane... Que reine o caos ... aumentem a música, mais vinho... Que se danem as posições... O degrau de cima é de quem pegar primeiro. Todas as velhas tradições estão exauridas, e nenhuma nova foi estabelecida. As apostas estão suspensas! as vantagens canceladas! o jogo não é de ninguém!... os cavalos estão todos dopados!... a pista é de vidro!... e de um caos assim glorioso poderá surgir, da mais inesperada fonte, da mais inesperada forma, alguma bela, nova e gorda Explosão de Estrelas de Fogos de Artifício que incendiará o céu".
(Wolfe)
Tão perfeito e demais quanto:
Eu vos digo: é preciso ter ainda caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançarina. Eu vos digo: ainda há caos dentro de vós.
(do bigodudo Nietzsche)
>>
O que seria do mundo se todos sofressem da tal doença da seriedade? Um brinde. E, parafraseando Nietzsche numa carta a Wagner: "...desta vez, no entanto, eu venho como o vitorioso Dionísio, que transformará o mundo numa festa...não que eu tenha muito tempo...
Nota: ao lado do meu prédio tem uma casa de dois andares muito antiga. Eu moro no segundo andar e meu apartamento fica nos fundos. Da minha sala, dou de cara com os fundos da casa e com uma despedida de solteiro de um dos moradores. Bom, tem zilhões de moradores de todas as faixas etárias, mas para a minha surpresa, o que é óbvio também, tem um bando de homem esperando um bolo enorme chegar com uma loira peituda dentro. Como o calor está insuportável e minha janela precisa ficar aberta, estou brincando de conversas furtadas. Seriam muitos comentários para um dia só. Fica aqui porque vou sair de casa antes que o bolo chegue.